Eu também mereço

No dia 9 de Novembro de 2017, celebramos o primeiro aniversário da minha filhota. Nesse dia, o pai fez um bolo de chocolate deliciosíssimo para ela, compramos uma vela e papel para fazer chapéus e fizemos os chapéus com ela. Também almoçamos com um amigo de quem ela gosta muito, o tio Giano, e, demos um passeio antes de voltar para casa.

A estas alturas, ela já caminhava com ajuda, agarrada à alguma mão ou qualquer coisa que lhe inspirasse segurança. Durante o passeio para casa, ela decidiu pela primeira vez caminhar sozinha – sem o nosso apoio. Ela caiu algumas vezes sim, e atrapalhou as/os ciclistas que passavam por nós, mas ela, simplesmente levantava-se ou levantava a cabeça e olhava para nós pedindo ajuda para se levantar, e, continuava com a nova aventura.

Algo interessante que observamos com as bebés, é que uma parte do seu desenvolvimento é a aprendizagem. Estão constantemente a aprender, o que lhes leva a fazer coisas novas, mas também, a melhorarem as coisas que já fazem. Como adultas/os, estamos abertas/os a acompanhar o processo de aprendizagem das crianças. Aceitamos que falhem, que caiam e que errem durante esse processo, até que aprendam a caminhar, comer com uma colher sem sujar a mesa, subir e descer do sofá, encher o baldinho de areia, etc.


Mamilos anarquistas Aniv Siyanda

Porém, tenho a impressão que como sociedade, não temos a mesma atitude com as mães e pais, na sua caminhada como progenitoras/es. É como se estivéssemos proibidas de cometer erros. Como, se nascêssemos sabendo cuidar de crianças. Como se a responsabilidade e papel que se exige de nós como mães e pais fosse inata. Mas não, senhoras e senhores! Eu, também estou a aprender. Aprender a ser mãe, a cuidar de outro(s) ser humano que depende tanto de mim e sobre quem tenho total responsabilidade. Não nasci sabendo, aprendi a mudar fraldas, a dar de mamar, a diferenciar os choros, a fazer massagens para aliviar as cólicas, a preparar purés de frutas e verduras até acertar a textura que ela mais gostava, a dar banho, e todas as outras coisas que me permitem tomar conta da minha pequena.

Recentemente me tornei mãe de segunda viagem e, mesmo assim estou a reaprender a cuidar de uma criança, algumas coisas faço como fiz com a primeira e, funcionam, e outras não. Por exemplo, o choro do meu bebe varia em função da necessidade dele. Quando tem fome, o tom do choro soa mais aberto, como se estivesse a exercitar os pulmões. Já quando tem sono, chora como se lhe tivessem dado um tempo curto para chorar, chora intensamente em vários intervalos e as vezes como se não quisesse abrir a boca. Eu não tinha como saber o que cada choro significa só porque sou mãe, aprendi sobre os choros dele porque passo tempo com ele e a observação me permitiu tirar essa lição.

Por tanto, eu acho que mereço também ser congratulada pelo primeiro ano da minha filha, pelas coisas que aprendi no cuidado dela que a permitiu chegar aqui. Penso que nós temos o direito de errar, de viver a nossa experiência maternal sabendo que as nossas intenções são as melhores para as nossas crianças, mas que mesmo assim vamos cometer erros, vamos exagerar, vamos medir mal. E não tem nada de errado nisso. De facto, não acredito que seja possível aprender sem cometer erros. Aprender implica fazer, experimentar, avançar, escorregar e nesse processo, sempre há erro.

Aceitar o erro como algo normal no nosso papel como progenitoras/es, não é só vital para a nossa saúde mental, mas também é necessário para desmistificar a expectativa que a sociedade muitas vezes tem de que podemos chegar a ser super mamãs. Aquelas mamãs que tudo sabem e podem. Isso sim é um mito!

De momento quero celebrar o quanto aprendi no primeiro ano de vida da minha filha (também foi o meu primeiro ano como mãe), que me permite ir criando as condições para que ela possa ser exploradora, feliz, livre, sã e escolha ser a melhor versão dela mesma.

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